Tríade Superior

Se perde na aurora das religiões mundiais – Dogma no Cristianismo por Athanasius de Alexandria (c. 328 – 373 d.C.)

Abordagem Teológica

A crença de que Deus consiste em três entidade combinadas em uma só substância.

Até a primeira metade do primeiro século d.C., o monoteísmo judaico tipicamente entendia Deus como tendo um “caráter” ou “personalidade”. No entanto, o aparecimento de Jesus no primeiro século d.C. desafiou isso, pois, ao realizar uma série de atos (como perdoar pecados) que os antigos judeus acreditavam ser prerrogativa exclusiva de Deus, Jesus pareceu reivindicar para si algum tipo de identidade com Deus. Contudo, apesar de fazer essas afirmações, Jesus, ao mesmo tempo, também entendia claramente que sua identidade era diferente da de Deus Pai. A natureza da identidade de Deus foi ainda mais complicada quando Jesus disse que o Pai enviaria “o Espírito Santo” – aparentemente outro aspecto de Deus – para auxiliar os cristãos em seu crescimento espiritual.

Durante os primeiros quatro séculos após a morte de Jesus, os cristãos discutiram sobre como, precisamente, as afirmações da unidade e, ainda assim, da pluralidade de Deus poderiam ser reconciliadas.

Os primeiros cristãos estavam profundamente preocupados com a inteligibilidade racional e, embora pudessem aceitar que o exercício da razão pudesse apontar para um mistério que é compreendido racionalmente apenas por Deus, eles não podiam aceitar a contradição lógica. Várias ideias “heréticas” foram sugeridas, incluindo o modalismo (que afirma que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são meros modos ou aparências do único Deus) e o arianismo (que afirma que o Filho foi criado pelo Pai). No entanto, um dos primeiros pais da igreja, Tertuliano (c. 160-c. 225), foi o primeiro a falar de Deus como uma “substância” e do Pai, do Filho e do Espírito Santo como “pessoas” ou “personalidades” distintas dessa substância.

Um século depois, no Concílio de Niceia, a fórmula aproximada de “três pessoas em uma só substância” tornou-se a chave ortodoxa aceita para a compreensão da unidade e pluralidade da Divindade. Dada a abrangência do cristianismo, a ideia de que Deus é tripessoal é agora a concepção dominante do monoteísmo em todo o mundo.

Abordagem Metafísica e Cabalística

Trindade – conceito amplamente conhecido em todo o mundo: Pai, Filho, Espírito no Cristianismo; Brahmâ, Vishnu e Shiva no Hinduísmo e Lamaísmo; Viracocha, Pachamama, Pachacamac a tríade Inca; Kether, Chochmah e Binah da Cabala dos Hebreus. Existem muitos outros exemplos.  

Todas as tríades dos pagãos eram compostas do Pai, da Mãe e do Filho. Transformando a tríade em “Pai, Filho e Espírito Santo”, Atanásio e os teólogos da Igreja mudaram o dogma apenas exteriormente, uma vez que o “Espírito Santo” foi sempre feminino e, segundo os Evangelhos Gnósticos Primitivos, Jesus dirige-se ao Espírito Santo como sua “mãe – Conceição. As famosas esculturas e pinturas barrocas Nossa Senhora da Conceição – muito comum no Brasil Colonial e Portugal. 

A Trindade não é exclusiva da Igreja católica-romana; é universal, pois a vemos em todas as teogonias antigas. Apenas quando os estudos de Mitologia forma comparados e os linguistas colocaram a descoberto o conceito arcaico da pura matéria primitiva na qual começa a evolução, graças à ação do Espírito, de qual resultado o Universo manifestado (o filho da mãe virgem), é que na Igreja católica-romana no século quarto se converteu em dogma a concepção imaculada de Maria, para não se ver a descoberta, isto é, sem deusa ou aspecto feminino da Trindade, como os demais sistemas pelo mundo.

Existe apenas uma Virgem e esta não é nenhuma mulher: é a pura abstração da Natureza, o NOUMENO, a potencialidade, o protótipo ideal não manifestado, que dorme no seio do ABSOLUTO, cujo raio tanto inicia a evolução como o lançamento no plano da existência manifestada, onde se converte em feminilidades, ações e reflexos. (i)

H.P. Blavatsky diz ter descoberto no Nirukta de Yâska, que os mais antigos autores védicos admitiam apenas três deuses: Savitri, Agni e Vâyu e que todas as outras divindades eram formas e nomes diversos de algum dos três, nomes dados de acordo com a diversidade das funções naturais e das funções divinas. O nome Savitri significa Produtor ou Pai, por ser o céu o seu lugar, se denomina no Veda o nome de Pai Celeste. Materialmente é Sol, porém este é considerado apenas como o carro ou roda de Savitri. 

Agni é o fogo; mito do fogo ocupa lugar importante em quase todas as religiões. O Agni dos hinos sacros é o fogo em todas as acepções diretas ou figuradas desta palavra; seu lugar é a Terra, no lar doméstico, no altar; é a vida e o pensamento em cada um dos seres que vivem e pensam. Seu nascimento é místico, porque de certo modo tem um pai terrestre chamado Tvachtri, isto é, carpinteiro; por outro lado, descido do céu de modo misterioso, é concebido no seio materno por obra de Vâyu, que é o Espírito. Vâyu, no sentido material, é o vento, isto é, o ar em movimento, sem o qual o fogo não pode ser aceso nem iluminar; no sentido metafísico, é o espírito de vida e o autor da imortalidade para os vivos. Tal é a primeira forma sob a qual surge na história o dogma da Trindade: o Sol, o Fogo e o Vento. (ii) 

Tríada ou os Três – Os dez Sephiroth (Cabala hebraica) são considerados como um grupo de três tríadas: Kether, Chochmah e Binah formam a tríada suprema; Chesed, Geburah e Tiphe-reth, a segunda, e Netzach, Hod e Yesod, a trſada inferior. A décima Sephira, Malkuth, está acima das três triadas. Essa é a Cabala ortodoxa ocidental. Os ocultistas orientais apenas registram uma tríada: a Superior, correspondente ao Átmâ-Buddhi, e o “Invólucro” que reflete a luz destes, os três em um, e contam sete Sephiroth inferiores, cada um dos quais representando um “princípio”, começando pelo Manas (Mental) superior e concluindo com o corpo físico, do qual Malkuth é o representante no Microcosmo e a Terra no Macrocosmo. Em todas as religiões e filosofias, a Tríada ou Trindade é o Três em Um. (iii) 

Tríada Superior ou Tríade – Os três Princípios da constituição humana: Átmâ, Buddhi e Manas ou, melhor dizendo, o fruto deste último assimilado pelos dois primeiros, depois de cada vida terrestre, específico a Tríada espiritual imortal, o Espírito, a “Chama de três línguas que nunca morre”. (Doutrina Secreta, 1, 257.) A Tríada superior é o que constitui a Individualidade imortal.

Triângulo – Esta figura geométrica, a primeira de todas elas, é o símbolo dos Chelas superiores, enquanto outro tipo de triângulo é aquele dos altares dos Altos Iniciados. (Voz do Silêncio, I.) O triângulo é o símbolo da Divindade. (Doutrina Secreta, I, 46.) É também um dos símbolos mais arcaicos do Esoterismo oriental. (Id., I, 341.) Nos antigos monumentos cristãos, encontrou-se, algumas vezes, o triângulo associado com o monograma de Cristo. (iv) 

Notas

(i) F. de Montoliu, Estudos Teosóficos, série 1ª, nº 7.

(ii) E. Burnouf, A Ciência das Religiões, 3ª ed., pp. 218, 219.

(iii) H.P. Blavatsky – A Chave para a Teosofia – Ver Tríada superior ou espiritual, Trimûrti, trindade etc. – Tradução Celia Moraes, Editora Teosófica, Brasília-DF, 1991.

(iv) Martigny, Dict. des Antiquités Chretiennes, p. 766.