Egito, Pérsia, Babilônia, Índia, Hinduísmo, Budismo, Grécia e Macedônia, Druidismo, Cristianismo Primitivo Gnóstico, Islã-Sufismo
Sentido Exotérico.
Todo ser humano já nasceu, viveu e morreu antes, e o fará novamente
O conceito de reencarnação é antigo e difundido. Refere-se à crença de que os seres humanos têm almas imortais que foram, e serão, unidas a outros corpos, passados e futuros. Assim, cada ser humano individual viveu antes de seu nascimento atual e sobreviverá à morte renascendo como outro. Em alguns casos, por exemplo, no hinduísmo e no budismo, o ciclo de reencarnação pode ser evitado por um processo de iluminação ou salvação. Desempenhou um papel central no hinduísmo por milhares de anos. Tanto no hinduísmo quanto em seu ramo, o budismo, a reencarnação faz parte de um ciclo contínuo de nascimento, morte e renascimento conhecido como samsara. O objetivo final dessas religiões é escapar do samsara, um processo chamado moksha (ou “desapego”).
Na Grécia antiga, a reencarnação aparece na obra de Pitágoras, do século VI a.C., e na filosofia de Platão, do século IV a.C. Enquanto isso, no Novo Testamento cristão, Jesus Cristo afirma abertamente que João Batista era a reencarnação do profeta hebreu Elias, e pelo menos algumas seitas do Islã (particularmente o sufismo) também acreditam na reencarnação.
Do final do século XIX, o interesse pela reencarnação — juntamente com tudo o que era oriental — desfrutou de uma explosão de popularidade na cultura ocidental. Os escritos de professores, como Madame Blavatsky, da Sociedade Teosófica, e Edgar Cayce, reforçaram a crença de que as pessoas viveram muitas vidas.
“Não se lamente. Tudo o que você perde retorna de outra forma.” Jalal al-Din Rumi, poeta e místico persa.
Sentido Esotérico
Ocultismo Reencarnação – É a doutrina do renascimento, na qual acreditavam Jesus e seus apóstolos, como toda gente daqueles tempos, porém negada hoje pelos cristãos que parecem não compreender a doutrina de seus próprios Evangelhos, visto que a Reencarnação é ensinada claramente na Bíblia, como o é em todas as demais escrituras antigas. Todos os egípcios convertidos ao cristianismo, os padres da Igreja e outros acreditavam em tal doutrina, como provam os escritos de vários deles. Nos símbolos ainda existentes, a ave com cabeça humana, que voa para uma múmia, um corpo ou “a alma que se une com seu sahou (o corpo glorificado do Ego e o invólucro Kamaloka – assim como, ﻓر :Farr-e Kiyâni (em persa )ﻓُروھَر :ou Forouhar (e farsi )ﻓَرَوَھَر :Índia)”, ou o Faravahar (em far um dos maisﮐﯾﺎﻧﯽ conhecidos símbolos do Zoroastrismo, mais uma prova antiguíssima por diferentes povos sem comunicação direta da mesma crença.

“O Canto de Ressurreição” entoado por Ísis para fazer a vida voltar a seu esposo defunto poderia ser traduzido como “Canto de Renascimento”, visto que Osíris é a Humanidade coletiva. “Oh, Osíris (aqui segue o nome da múmia osirificada, ou seja, o defunto), levanta-te de novo na santa terra (matéria), augusta múmia que jaz no féretro sob tuas substâncias corpóreas” – eis a oração funerária que era pronunciada pelo sacerdote diante do defunto. A palavra “ressurreição”, entre os egípcios, nunca significou a ressurreição da mutilada múmia, mas da Alma que a animava, o Ego num novo corpo (Kha). O fato de revestir-se periodicamente de carne a Alma ou o Ego era uma crença universal; nada pode estar mais concorde com a justiça e a lei cármica.
A Reencarnação é também chamada de palingenesia, metempsicose, transmigração das almas etc., e, como indicam estes nomes, esta doutrina ensina que a Alma, o princípio vivo, o Ego ou parte imortal do homem, depois da morte do corpo em que residia, passa sucessivamente para outros corpos, de modo que para um mesmo indivíduo há uma pluralidade de existências ou, melhor dizendo, uma existência única de duração ilimitada, com períodos alternados de vida objetiva e vida subjetiva, de atividade e repouso, comumente chamados de “vida” e “morte”, comparáveis de certo modo aos períodos de vigília e de sono da vida terrestre; cada uma dessas existências na Terra é, por assim dizer, um dia da Grande Vida individual.
Através do processo da Reencarnação, a entidade individual e imortal, a Tríade superior ou Logos, transmigra de um corpo para outro, reveste-se de sucessivas e novas formas ou personalidades transitórias, percorrendo assim, no curso de sua evolução, uma após outra, todas as fases da existência condicionada nos diversos reinos da Natureza, com o objetivo de ir entesourando as experiências relacionadas com as condições de vida inerentes a elas; como o estudante entesoura diversos conhecimentos e experiências em cada um dos cursos que faz durante sua vida universitária, até que, uma vez terminado o ciclo de assentos, esgotadas todas as experiências e adquire a plena perfeição do Ser, o Espírito individual, completamente livre de todas as travas da matéria, alcança a Libertação e retorna a seu ponto de origem, abismando-se novamente no seio do Espírito Universal, como a gota d’água no oceano: iluminação do Buddha – se torna um Ahrat (sânscrito), o retorno ao Logos de Platão, a libertação do ciclo de nascimentos e mortes samsara dos indús.

A filosofia esotérica afirma, pois, a existência de um princípio imortal e individualizado, que habita e anima o corpo do homem e que, com a morte do corpo, passa a encarnar outro corpo, depois de um intervalo mais ou menos longo de vida subjetiva em outros planos. Desse modo, as vidas sucessivas se enlaçam com outras tantas pérolas no fio (Fio de Ariadne – Perseu dos gregos), sendo este fio o princípio sempre vivo e as pérolas as numerosas e diversas existências ou vidas humanas na Terra.
Nos livros exotéricos do Oriente diz-se que a Alma transmigra das formas humanas para as formas animais e pode passar para formas ainda mais inferiores (vegetais ou minerais). Esta crença é geralmente aceita não só nos países orientais, mas também no ocidental, entre os prosélitos de Pitágoras e de Platão; porém a filosofia esotérica e a teosófica rechaça totalmente tal afirmação por ser irracional e porque se opõe às leis fundamentais da Natureza.
O Ego humano pode encarnar apenas em formas humanas, pois só estas oferecem as condições através das quais são possíveis as suas funções; o Ego – Consciência humana jamais poderá viver em corpos animais nem retroceder ao bruto, porque isso seria ir contra a lei da evolução. (Ver Doutrina Secreta, I, 208.) Este falso ponto de vista é um disfarce do ensinamento esotérico e só pode ser admitido no sentido alegórico, do mesmo modo que chamamos de “tigre” o homem de instintos cruéis, “raposa” aquele dotado de muita sagacidade e astúcia etc. É certo que um homem pode degradar-se e chegar a ser até pior, moralmente, que qualquer bruto, mas não pode fazer a roda do tempo dar voltas nem girar na direção contrária. A Natureza nos abre portas, porém aqueles que abandonamos se fecham como uma fechadura de mola para a qual não temos a chave. (A. Besant, Reencarnação.)
Para se ter uma verdadeira ideia da Reencarnação, é preciso compreender bem qual é a parte do homem que se reencarna; do contrário, expõe-se a incorrer em graves erros. De início, não se trata aqui do quaternário inferior (quatro corpos inferiores do homem e os três superiores): Corpo físico ou denso (sthûla sharîra); Duplo Etéreo ou Corpo Astral (linga – sharîra); Princípio Vital (prana); Corpo emocional dos desejos e paixões (kâma-rûpa).

Porque estes são constituído de princípios transitórios, que servem apenas para um ou uma só personalidade terrestre; não se trata, pois, da natureza animal, da parte que o homem tem em comum com o bruto, isto é, o corpo físico, o duplo etéreo, o princípio vital e o centro ou princípio dos apetites, desejos ou paixões.
Aquilo que verdadeiramente se reencarna é a entidade individual e imortal do homem, da Tríade superior: pelo Atmã-Buddhi (Espírito – Alma) e o Manas superior; porém, como a Mônada (Atmã-Buddhi) é universal e não difere entre pessoas ou indivíduos distintos, na realidade aquilo que se pode dizer que reencarna é o Manas, o Pensador, o Ego ou verdadeiro Homem, que, enobrecendo e purificando seu eu inferior, luta por unir-se à Mônada divina, ou EU superior.
A Reencarnação, que parece ser nova entre nós, apesar de ser antiquíssima, é a crença de dois terços da população mundial e foi aceita sem reservas em todos os séculos passados. Em uma palavra, é uma verdade esquecida. Nas Escrituras Sagradas da maior parte do Oriente, fala-se da Reencarnação como de uma que não tem necessidade de provas ou demonstrações, como uma dessas verdades correntes e incontestes, que todo mundo aceita sem discussões nem exames. No Novo Testamento encontram-se várias alusões a esta (Mateus, XVII, 12, 13; Marcos, VI, 14-16; João, IX, 1, 2 etc.) e assim a vemos plenamente admitida por vários padres da Igreja primitiva, antes da perseguição pelos pais da Igreja dogmática:
– Irineu de Lyon – Contra as Heresias; – Tertuliano; – Hipólito de Roma. Eles rotularam os cristãos primitivos – antigos
ou gnósticos como hereges, principalmente porque:
– defendiam conhecimento interior (gnosis) em vez de obediência institucional
– tinham cosmologias complexas ligadas à teosofia e reencarnação
– não aceitavam um Deus criador literal como plenamente bom
– viam Jesus como mestre iniciático, não apenas objeto de culto sacrificial.
(Ver A. Besant. Compêndio Universal de Religião e Moral, tomo I, pp. 97 e segs.).
No próprio oeste a crença na Reencarnação estava muito arraigada na Antiguidade, como o demonstram certos ensinamentos da Mitologia e numerosas obras de sábios eminentes Muitos pensadores e filósofos antigos e modernos a admitiram sem reservas e, para prová-lo, pode-se citar os nomes de Pitágoras, Platão, Empédocles, Sócrates, Kant, Schopenhauer, Shakespeare, Fichte, Herder, Lessing, Shelley, Emerson, Goethe, Hegel, Richard Wagner etc., fato que não deve causar estranheza, porque a doutrina da Reencarnação é a única que nos oferece uma explicação lógica, clara e satisfatória do grande número de problemas e enigmas que torturam a inteligência humana, tais como as diferenças de caráter, os instintos diversos, as “injustiças da vida”, as tendências inatas de diversas pessoas, o talento e as interpretações naturais que algumas delas apresentam para as ciências e as artes, as enormes e irritantes desigualdades de nascimento e fortuna, as aparentes doutrinas que vemos a cada passo dado na Terra etc.
De outro modo, a boa ou má sorte dos homens não responde a qualquer ideia de justiça, mas depende simplesmente do mero capricho de uma divindade irresponsável ou das forças cegas de uma Natureza sem alma. De tudo o que foi exposto, deduz-se que deve existir necessariamente uma causa, uma lei que regule de maneira justa e precisa as condições de cada encarnação ou existência, e esta lei é o Karma* (ver dicionário do pensamento), lei inflexível que ajusta sabiamente e equitativamente a cada causa o seu devido efeito; é o destino de cada indivíduo, porém não um destino cego ou caprichoso, mas o destino iniludível, absolutamente justo e estritamente acomodado ao mérito e demérito de cada um. Em virtude da lei kármica, as boas ou más subsequentes de todos os atos, palavras e pensamentos do homem reage sobre ele com a mesma força com que atuaram e assim é que, cedo ou tarde, na atual ou futuras existências, cada um colhe exatamente aquilo que semeou. Nossos desejos, nossas aspirações, nossos pensamentos, nossos atos são aqueles que, por virtude de tal lei, nos atraem repetidas vezes para a vida terrestre, determinando a natureza de nossos renascimentos. Todas as desigualdades, todas as diferenças que vemos na condição de diversas pessoas são filhas dos merecimentos ou das culpas de cada um e, portanto, o que geralmente se considera como favores ou crueldades da sorte, nada mais é do que o correspondente e justo prêmio ou castigo de nossa conduta passada. Somos nós mesmos que forjamos nosso futuro e lavramos nossa felicidade ou desventura vindouras, sem que por isso possamos bendizer ou culpar ninguém mais do que a nós mesmos – Maat o arquétipo egípcio do julgamento neutro e justo.
Não somos, de maneira nenhuma, escravos de nosso destino, mas seus donos e criadores; o destino é inevitavelmente nossa própria e exclusiva obra.
(Ver Karma, Metamorfose, Metempsicose, Preexistência etc.)

