Propaganda 

Europa século XVI

Papa Gregório XV (1554-1623

Propaganda é um modo específico sistemático de persuadir visando influenciar com fins ideológicos, políticos as emoções, atitudes, opiniões ou ações do público-alvo. Seu uso primário advém de contexto político, referindo-se geralmente aos esforços de persuasão patrocinados por governos e partidos políticos.

Uma manipulação semelhante de informações é bem conhecida: a propaganda comercial, que normalmente não é chamada de propaganda, mas sim publicidade, embora no Brasil seja erroneamente utilizada como sinônimo. Ao contrário da busca de imparcialidade na comunicação, a propaganda apresenta informações com o objetivo principal de influenciar uma audiência. Para tal, frequentemente apresenta os fatos seletivamente (possibilitando a mentira por omissão) para encorajar determinadas conclusões, ou usa mensagens exageradas para produzir uma resposta emocional e não racional à informação apresentada. O resultado desejado é uma mudança de atitude em relação ao assunto no público-alvo para promover uma agenda política. A propaganda pode ser usada como uma forma de luta política.

Poucas palavras na língua inglesa são usadas tão pejorativamente quanto “propaganda”. A palavra evoca artes negras de desinformação e manipulação, com a intenção pervertida de enganar e ludibriar. No entanto, o propósito original da propaganda era mais benigno, embora sua existência tenha sido vista de forma hostil desde o início

Entendendo sua origem, podemos ter uma visão mais clara porque o termo Propaganda é tão pejorativo no idioma anglo-saxão, tem sua origem no embate protestante da Reforma e da Contra-Reforma do Catolicismo Romano. 

A Reforma Protestante após 1517 enfraqueceu seriamente a Igreja Católica Romana. No decorrer da reforma das práticas católicas e da repressão à dissidência, o Papa Gregório XV (1554-1623) decidiu que sua Igreja precisava de um único corpo para combater o Protestantismo. Em 22 de junho de 1622, ele estabeleceu a Sacra Congregatio de Propaganda Fide (Sagrada Congregação para a Propagação da Fé). Este novo corpo treinou missionários — ou propagandistas — para reviver a fé católica na Europa e fortalecê-la nas colônias europeias do outro lado do Atlântico. Como os missionários queriam que as pessoas aceitassem as doutrinas da Igreja voluntariamente, nenhuma força era permitida. Consequentemente, os missionários recorriam a métodos secretos ou ocultos para persuadir as pessoas a mudarem suas visões religiosas. Não surpreendentemente, a propaganda, um instrumento da Igreja Católica, era malvista por seus oponentes protestantes, e a hostilidade ao seu conceito geral continua até os dias atuais

A palavra “propaganda” começou como um termo para uma organização que se propunha a espalhar uma doutrina ou conjunto de crenças ou ideias em específico. Logo passou a descrever a própria doutrina e, depois disso, as técnicas usadas para mudar opiniões a fim de disseminar a doutrina. A propaganda pode assumir muitas formas, tanto secretas quanto abertas, mas na realidade não é boa nem má em si mesma. A propaganda é meramente um processo de manipulação do comportamento ou das opiniões de uma pessoa para o benefício de outra pessoa. 

A única maneira de julgar a propaganda, portanto, é determinar se ela é bem-sucedida ou não.

Para entender a evolução da propaganda e seus efeitos na história contemporânea e atual é importante pesquisar sobre as técnicas de propaganda que foram cientificamente organizadas e aplicadas primeiramente pelo jornalista Walter Lippman e pelo psicólogo Edward Bernays (sobrinho de Sigmund Freud) no início do século XX.

Não menos importante conhecer a história da propaganda na Alemanha Nazista que foi produzida pelo Ministério da Conscientização Pública e Propaganda (“Promi” na abreviação alemã). Joseph Goebbels foi encarregado desse ministério logo após a tomada do poder por Hitler em 1933. Todos os jornalistas, escritores e artistas foram convocados para registrarem-se em uma das câmaras subordinadas ao ministério: imprensa, artes, música, teatro, cinema, literatura ou rádio. Uma aplicação de hegemonia cultural e neurociência sem precedentes, somente superada pela socialista-comunista construída por Antonio Gramsci.