Índia, Grécia
Crença de que nenhum Deus, deuses, seres divinos ou fenômenos sobrenaturais existem.
O ateísmo pode ser descrito como uma gama de ideias sobre a não existência do divino, divindades ou deuses. Em certo sentido, os ateus são aqueles que não acreditam que quaisquer deuses ou seres divinos existam, ou são aqueles que não têm crença no sobrenatural. Os ateus também podem acreditar que não existem deuses, em oposição a não ter crenças sobre tal existência.
Não se atribui a um único criador a identificação da noção de ateísmo. No entanto, os Vedas, as escrituras mais antigas do hinduísmo, produzidas na Índia entre c. 1500 e c. 500 a.C., fazem as primeiras referências conhecidas à rejeição da ideia de deuses. No mundo ocidental, o antigo poeta e filósofo grego Diágoras de Melos (fl. século V a.C.) foi amplamente reconhecido como o primeiro ateu declarado, uma crença que resultou em sua fuga de Atenas.
O termo “ateu” também foi amplamente aplicado aos primeiros cristãos que não acreditavam no panteão pagão do Império Romano. No entanto, afirmações generalizadas e públicas de que não havia deuses não se tornaram comuns até depois da Revolução Francesa (1787-99). Hoje, o ateísmo é comum em muitas nações, embora as taxas de descrença sejam frequentemente difíceis de determinar com precisão.
A ideia de deuses, do divino ou de agentes sobrenaturais está frequentemente relacionada a questões básicas e fundamentais. Quem criou o universo? Como chegamos aqui? Para o ateu, a resposta não depende de uma base sobrenatural ou divina. O ateísmo, embora não seja um conjunto uniforme de crenças ou um corpo de doutrina, permite a possibilidade de que não haja uma resposta divina para nossas perguntas.
“O homem é apenas um erro de Deus? Ou Deus é apenas um erro do homem?”
Friedrich Nietzsche
Existe uma relação histórica e conceitual entre ateísmo e atomismo, mas ela não é necessária nem automática. A correlação é contingente, não lógica.
O atomismo clássico afirma que a realidade é composta por átomos e vazio, regidos por leis naturais, sem necessidade de causas finais ou intervenção divina contínua.
Essa visão aparece já na Grécia Antiga com Demócrito e se desenvolve com Epicuro, sendo poeticamente difundida por Lucrécio.
A correlação aparece porque o atomismo clássico dispensa um Deus criador pessoal; rejeita providência divina; explica o mundo sem teleologia (finalidade); dissolve a alma imortal em matéria. Isso enfraquece fortemente as bases tradicionais do teísmo religioso — especialmente nas religiões personalistas (como cristianismo, judaísmo e islamismo).
Entretanto, não há vínculo lógico necessário, possível ser atomista e não ateu, ser ateu e não atomista. Epicuro não era tecnicamente ateu: admitia deuses, mas irrelevantes ao mundo (deísmo radical). Filósofos modernos aceitaram o atomismo físico e mantiveram crença em Deus (ex.: versões do teísmo naturalista).A correlação é forte nos tempos atuais porque na ciência moderna, o atomismo reaparece como: materialismo; naturalismo científico; fisicalismo. Essas correntes apontam Deus epistemologicamente desnecessário.
Daí a correlação sociológica:
Atomismo moderno → secularização → aumento do ateísmo
Mas isso é um fato histórico, não uma implicação filosófica obrigatória.

