Índia, Siddhartha Gautama (Buda)
O caminho budista para a iluminação reside na liberdade do desejo.
De acordo com biografias tradicionais, Siddhartha Gautama (c. 563-483 a.C.) foi um príncipe do norte da Índia que renunciou à sua vida privilegiada para buscar o despertar espiritual.
A princípio, ele seguiu a tradição ascética dos homens santos indianos, mortificando a carne com jejuns extremos e outras dificuldades. Após sete anos de tal esforço, e agora tão emaciado a ponto de quase morrer, ele veio sentar-se sob a Árvore Bodhi em Gaya. Certa noite, aceitou um pouco de alimento nutritivo, relaxou e sentiu uma profunda mudança tomar conta dele. Depois de passar a noite sentado, ao amanhecer alcançou um estado de perfeita compreensão, tornando-se um Buda (iluminado).
A compreensão de Sidarta sobre a natureza da realidade foi posteriormente formulada como as Quatro Nobres Verdades do Budismo.
As Quatro Nobres Verdades são:
1. A Nobre Verdade do Sofrimento:
Reconhecer que o sofrimento é uma parte inerente da experiência humana e que todos estão sujeitos a ele.
2. A Nobre Verdade da Origem do Sofrimento:
Identificar a causa do sofrimento, que é o apego, o desejo e a aversão.
3. A Nobre Verdade do Fim do Sofrimento:
Acreditar que o sofrimento pode ser superado e que é possível alcançar a cessação do sofrimento (Nirvana).
4. A Nobre Verdade do Caminho que Conduz à Cessação do Sofrimento:
Apresentar o caminho que leva à cessação do sofrimento, conhecido como o Nobre Caminho Óctuplo.
O Nobre Caminho Óctuplo é composto por oito práticas que incluem: visão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, sustento correto, esforço correto, atenção plena correta e concentração correta.
O Cânone Pali das escrituras budistas:
(duhkha) — frustração do desejo, perder o que queremos, ter que conviver com o que não queremos. A segunda verdade é que o sofrimento resulta do apego às coisas ilusórias do mundo com desejo ou ódio, buscando uma ou fugindo de outra. A terceira verdade descreve a solução: a conquista do nirvana, o estado de iluminação em que o mundo pode ser visto como a ilusão que é. Libertar-se da ilusão significa libertar-se do apego a desejos ilusórios. A verdade final, Nobre Caminho Óctuplo, define o caminho prático para a iluminação — o Dharma — incluindo compreensão correta, fala correta, ação correta e concentração correta.
No contexto da crença tradicional na reencarnação, o Nirvana (elemento espiritual evoluído e divino) é visto como o encerramento do ciclo interminável de morte e renascimento, é o viver em plena consciência e energia, o que vai muito além da matéria porque é a fonte criadora da própria matéria. A liberdade nirvânica é encontrada na compreensão de que até mesmo o eu é uma ilusão, o eu temporário encarnado, que se transforma através da sucessão dos renascimentos.

